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sábado, 14 de agosto de 2010

CONTO #1 - A PRACINHA




Ele estava sentado ali, em um dos vários bancos azuis que cercava a pequena praça. Tudo parecia calmo: o vento soprava lentamente, os carros estavam quietos no estacionamento ao redor da pracinha, as árvores deixavam cair seus pequenos frutos já maduros, colocando outro tom de cor no chão, nas mesas, nos bancos... Tudo estava calmo. A tranquilidade do jovem era tamanha que demorou um pouco a perceber que o vento, agora, soprava mais forte que de costume. Tudo estava calmo... até demais.
A poeira arrastada pelo ar começou a castigar suas pernas e ele usou seu livro como escudo para seu rosto. Curiosamente não havia mais ninguém na praça. A revoada dos pássaros foi também o último barulho que fizeram. Estava difícil se equilibrar, mesmo estando sentado, por causa da força do vento. O garoto estremeceu. Algo estava muito errado naquele instante e ele não podia abrir seus olhos, pois a ventania, juntamente com a areia do local, fez com que ele se sentisse em meio a uma tempestade de areia em pleno deserto do Saara. É claro que ele nunca tinha estado no deserto do Saara, mas ele teve a certeza absoluta que se lá estivesse, teria sido do mesmo jeito.
Logo que a tempestade de areia cessou, o rapaz pensou estar a salvo. Contudo, seu pesadelo estava apenas começando. Quando olhou ao redor, percebeu que tudo parecia mais antigo. Os carros ao seu redor continuavam lá, mas estavam arruinados, aparentemente por falta de uso. Algumas mesas estavam quebradas e o próprio banco em que ele estava sentado, estava em parte quebrado.
Tudo isso aconteceu por causa da tempestade de areia?”, perguntou a si mesmo. Não obteve resposta. Levantou e chamou por alguém. Ninguém o respondeu. Chegou próximo a um dos carros que estava no estacionamento, que há dez minutos parecia ter acabado de sair da fábrica e percebeu um detalhe curioso: a placa estava enferrujada. Seria mesmo possível? Não estaria ele ficando louco? Sonhando? Olhou para a pequena muda que estava no canteiro ao seu lado e não a encontrou. Em seu lugar havia uma árvore que já dava seus frutos. Sim! Por mais que estivesse louco, ou sonhando, ou mesmo que tudo fosse real, só uma explicação tomava conta da mente dele: o tempo havia passado!
Uma mistura de terror e incompreensão dominou o garoto por completo. Como isso seria possível? Não! Aquilo não era um sonho! Pensou em quanto tempo era necessário para que uma muda de árvore se tornasse adulta e produtora de frutos. A única conclusão que chegou é que seriam necessários, no mínimo, anos. Se é que aqueles são seus primeiros frutos. Poderiam ser décadas. Olhou então para ele mesmo. Sua roupa e seu corpo não demonstravam sinais de envelhecimento. Estava exatamente igual. Parecia ser a única peça que sobrava naquele quebra-cabeça. Nada fazia sentido.
Tentou gritar por alguém uma vez mais. A resposta foi a mesma.
Apesar da sensação de pavor que o consumia, não podia negar que outro sentimento passava pela sua cabeça, pelo seu peito, por cada molécula de seu corpo, como se estivesse diluído em seu sangue e estivesse sendo levado para cada célula sua. Era impossível, naquela calmaria, não se sentir em paz. “Estou morto!”. Foi o segundo pensamento que veio a sua mente. Era, até agora, a melhor explicação que tinha encontrado. Só podia ser aquilo. A sensação de pavor deveria ser natural, e a calmaria deveria ser uma recompensa. Ficava cada vez mais calmo, tentando se acostumar com a ideia. Não precisaria mais se preocupar com escola, provas, desilusões amorosas, qualquer tipo de dor que a vida poderia causar. Talvez tivesse que descobrir agora o que a morte poderia lhe dar. Estava feliz.


- Ei! Quem é você? – perguntou um velho homem vestido de branco, com uma longa barba branca e corpo frágil.
- Você é Deus? – indagou o jovem intrigado.
- Não! Sou um Guardião. Como você veio parar aqui? Quem é você? – Replicou o ancião.
- Eu morri! Quer dizer, eu acho que morri. Acho que o tempo passou rapidamente por aqui também. Há dez minutos tudo isto parecia normal. Agora tudo está tão... antigo. Mas me desculpe, o senhor disse guardião?
- Sim. Sou Guardião deste lugar.
- Eu estou morto, então?
- Pode ser que sim. Mas você me parece bem igual aos vivos!
- E onde estão os vivos? Parece que todos se foram... Há quanto tempo você guarda este lugar?
- Há quanto tempo? “Tempo”... O tempo é uma invenção humana. Eu, assim como os outros guardiões, sou atemporal. O meu lugar também é atemporal.
- Este lugar é atemporal? – Tentava entender o jovem.
- Sim. Talvez seja por isso que você está tão confuso.
- Como assim?
- Sobre tudo parecer pertencer ao passado aqui. Mas você acha que o tempo passou, ou seja, você estaria no futuro. Mas estando vivo ou morto, você está nesse exato momento conversando comigo, o que você poderia chamar de presente. – O rapaz tentava acompanhar o raciocínio do Guardião com atenção. – Para mim não há problemas com o local. Não importa quantas vezes ele mude. Sou seu guardião independente do tempo. Para vocês, o lugar muda com o passar do tempo, pois vocês vêem o lugar pelo que nele existe de material, não pelo que ele é. Eu não cometo este equívoco. Nem poderia.
- Acho que entendo. Mas porque então...
- Shiii. – O ancião fez sinal para o jovem calar-se.
- O que foi?
- Invasores!
- Como assim? Outras pessoas?
- Sim! Elas não são bem vindas no meu lugar.
- Por que não?
- Porque posso vê-las como vejo meu lugar. Não pelo que elas têm. Mas pelo que são. Os Guardiões podem sentir e ver a essência das coisas.
- E eu sou bem vindo?
- Se não fosse, pode apostar que esse encontro nunca teria acontecido.

O Guardião não falou mais nada, apenas juntou as mãos e fechou os olhos. O jovem sentiu-se empurrado por alguma força invisível e afastou-se do velho homem. As folhas secas no chão começaram a fazer movimentos em círculos, como se estivessem em ressonância com o Guardião e então ele abriu seus braços. Começou a falar uma língua que o garoto nunca tinha ouvido antes, e o medo começou a fazer-se presente no peito do jovem. “Não tenha medo”. O Garoto não soube dizer se o que ouviu dentro de sua mente veio de dentro dele próprio ou se era o Guardião, mas independente disso a frase o ajudou a acalmar-se.
Aos poucos, as folhas e a areia que faziam um redemoinho em volta do ancião foram parando e se dispersando. O velho abriu os olhos e o garoto pôde ver que suas pupilas não estavam mais no centro de seus olhos. Tudo que havia era os dois glóbulos oculares totalmente brancos.


- Eles se foram! – Falou o Guardião.
- Seus olhos...
- Ah sim... – falou o velho como se agora que estivesse se lembrando de algo. – Melhorou?
- Um bocado. – Respondeu o garoto depois de ver as pupilas novamente em seus locais de origem. – Como o senhor fez isso?
- Na verdade, estou nesta forma para que possamos conversar. Eu não sou assim. Apenas me apresentei a você assim. Mas não é normal você estar aqui. Vendo o que está vendo. Você deve ser diferente dos outros!
- Então há chances de que eu ainda possa estar vivo?
- Creio que sim. Não entendo como você veio nem como pode enxergar essa atemporalidade. Você deveria estar preso a seu tempo. Nenhum humano pode viajar através dos tempos. O que você tem de especial?
- Eu não sei... – disse o jovem sentindo-se envergonhado. Recebera um elogio, ao menos assim ele encarou a frase do Guardião.
- E isso que tem na mão?
- Ah... Estava lendo um livro quando tudo aconteceu. Primeiro o vento começou a ficar mais forte, depois veio a tempestade de areia e quando abri os olhos, estava aqui!

O Guardião fez cara de surpreso e de quem estava começando a entender tudo. Ficou surpreso na verdade que o garoto ainda não tinha entendido o que estava acontecendo.

- Preciso ir.
- Como assim? E eu, como fico?
- Eu preciso guardar o meu lugar.
- Você não pode fazer nada por mim? – Perguntou o jovem preocupado.
- Talvez. Sente-se! – Ordenou o guardião. O jovem buscou o banco que estava sentado quando a tempestade de areia começou e sentou-se. – Agora feche os olhos.

O garoto obedeceu ao comando e novamente começou a sentir uma paz de espírito imensa, que nunca saberia explicar com palavras. Como se tudo pudesse terminar naquele momento que ele estaria feliz pelo resto da eternidade. Mas “eternidade” não existe para quem crê no tempo. Sem mais nem menos, algo que tocou suas pernas fez com que ele abrisse os olhos repentinamente, como se uma descarga elétrica super potente tivesse atingido seu peito e feito seu coração voltar a pulsar. Era apenas um gato. O jovem olhou a sua volta e viu que havia pessoas passando. Havia barulho de animais. Havia criança chorando. O dono do carro novinho em folha estava dando marcha ré para sair do estacionamento. O mundo voltara ao normal. A pracinha era no caminho da escola, e um amigo do jovem apareceu.

- Está perdido por aqui? – perguntou o garoto aproximando-se do que estava sentado no banco.
- Ah, oi Ruan! – disse o jovem confuso.
- Está tudo bem com você?
- Está, está! Você ta indo pra escola?
- Sim! Já estamos em cima da hora, você não vem?
- Vou sim, cara! Vamos pra não nos atrasarmos! Me deixa só arrumar aqui minha mochila. – Disse o jovem pegando sua mochila que estava atrás do banco, e ainda com cara de quem não estava entendendo nada, folheou o livro que estava lendo e viu que a última página, somente ela, estava amarelada. O livro era novo, mas aquela página parecia ter umas décadas de existência. Guardou o livro na mochila e virou-se para seu amigo.
- Pronto? Vamos? – perguntou o amigo.
- Vamos sim! – Disse o jovem sorrindo e acrescentou: – Você gosta de ler, Ruan?
- Na verdade não muito. – Falou com sinceridade.
- Eu acabei de ler um livro ótimo agora. Se você prometer ler eu te empresto.
- Ah, tudo bem!
- Na escola eu te dou então.
- Você gosta muito de ler, não?
- Gosto sim. E este é meu lugar preferido para ler. Qualquer dia podemos vir juntos para cá, traremos bons livros e passaremos a tarde por aqui. Para mim é como se a leitura te levasse a outros mundos.
- Não tenho nada contra a Terra! – Disse Ruan e os dois riram juntos.


Os dois caminharam pelas sombras das árvores em direção à escola e enquanto riam as folhas e a areia do local dançavam em círculos no lugar que eles estavam, como se estivessem em ressonância com seus espíritos. A pracinha terminou sendo um lugar que eles usariam por anos para uma boa leitura. Nunca entenderam muito bem o porquê de se sentirem tão bem vindos naquele local.
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Escrito em 09 e 10 de abril de 2009

domingo, 8 de agosto de 2010

SENSAÇÃO

O que se passa na cabeça de um senhor de 80 anos?
Que belo baú de memórias...
Triste? Nostálgico? Alegre? Intacto?
Cheio de antigas incertezas,
ou melhor,
certezas agora.
Algumas dúvidas respondidas:
Que profissão seguir;
Se acharia o amor de sua vida;
Filhos?
Tudo maravilhosamente respondido.
Que inveja!
Sabe já se seus antigos sonhos foram ou não realizados.
Sabe se as amizades persistiram
ao tempo.
Sabe quem se foi antes da hora,
mesmo aqueles que não se deu tempo
de deixar com palavras carinhosas.
Sabe o final da poesia ainda inacabada,
Bem como os números da loteria premiada que não jogou.
Sabe de quase tudo, e não pode mudar quase nada...
Se soubesse antes, seria Deus.
Mas ninguém sabe.
Braços dados com a intuição,
com a sorte
e oportunidades
Para que quando soubermos das respostas,
aceitemos com
Sabedoria
o rumo final de nossas escolhas.
Texto escrito em 29.06.2010

sábado, 31 de julho de 2010

A CURA PARA O MUNDO

Neste tão lindo sacerdócio, que é ser Professor, existe algo com o que se é um pouco difícil de lidar: a partida. Quando eles devem seguir em frente, sem nossa ajuda. Sem nós a frente deles para protegê-los contra algumas artimanhas da vida, as quais o tempo fez com que estivéssemos um pouco mais familiarizados.
Mas o que acontece com os laços nascidos e cultivados? O que fazer com o sentimento (de pai, de irmão mais velho, de amigo...) que nasceu? Uma coisa é certa: eles devem ir, e nós não podemos acompanhar. Deve ser algo parecido, mas bem menos intenso, do que ter que deixar o próprio filho sair de casa.

Procuro pensar que realmente não deveria ir junto, ainda que pudesse acompanhá-los, pois há outros jovens chegando, que precisam de minha ajuda para passar pela mesma estrada. Uma estrada esburacada que não tem sinalizações. As curvas, ladeiras e outros imprevistos surgem do nada. E eles ainda estão começando a aprender a dirigir os próprios carros, as próprias vidas. Seria muito egoísmo nosso deixá-los nas mãos de outros que podem não encarar a profissão como uma dádiva, um dom, ou um sacerdócio. Seria apenas por benefício próprio escolher acompanhá-los anos afora. E outra... não há sabedoria nenhuma aí. Todos, em algum momento, devem aprender a caminhar com as próprias pernas. Machucar-se, chorar e aprender sozinho também faz parte da vida. Não devemos tirar-lhes isso.

Permitam-me fazer uma comparação. É como se os Professores fossem como os Bombeiros. Estes arriscam a vida em uma situação perigosa para guiar e salvar àqueles que estão em perigo. São heróis que, por um momento, abdicam de suas vidas pelas de outras pessoas (e na maior parte dos casos, outras vidas que sequer conhece). Os Professores têm a chance de conhecer as pessoas pelas quais eles abdicam parte de suas vidas. Ambos são tão pouco recompensados pela sociedade. São tão pouco respeitados. Talvez por isso tenha ouvido tantos protestos quando anunciei minha decisão de ser Professor. Eles sabiam disso. Contudo, não sabiam da parte que recompensa.

A parte que recompensa é ter feito a diferença na vida de alguém. É ouvir um “obrigado”. É receber um sorriso. Muitos podem achar essa conversa uma baboseira, ou demagogia. Estes, provavelmente, não trabalham com o que amam.

A erupção de sentimentos dentro de uma sala de aula e o contato com os jovens permite-nos usufruir de sua juventude. Permite-nos realizar transferências recíprocas de sentimentos. Damos um pouco de experiência, recebemos um pouco de juventude. O resultado disso é que estamos jovens sempre. Não trabalhamos com pessoas rabugentas, desanimadas, pessimistas, rudes... Pelo contrário. Trabalhamos com uma mescla de inocência e malícia. Com a mistura de revoltas e dúvidas, mas também com a certeza de que se deve aproveitar a vida. Estamos lado a lado de nós mesmos, vendo nos rostos deles, nossos amigos de Ensino Médio. É inevitável nos vermos sentados naquelas cadeiras.

As irritações sempre surgirão. Sempre há aqueles que, infelizmente, não conseguimos ajudar. Não há como ajudar todos. Não porque não queremos, mas porque eles não dão brechas para entendermos seus mundos. Assim como, nem sempre se podem salvar todos em um incêndio. É triste, e às vezes nos culpamos. “Talvez se tivéssemos feito de outra forma”, pensamos. Mas não podemos carregar a dor do mundo em nossos ombros. Ninguém pode. Vamos focar naqueles que receberam de bom grado nossa orientação. Vamos esperar que eles cresçam na vida. Que se tornem Homens e Mulheres de bem. Que constituam suas famílias. Que tenham seus filhos. Que façam a diferença no mundo. E que, se possível, levem um pouco de nós em suas lembranças.

Acreditem, é um sacerdócio. É algo que aquele que não tiver a mínima vontade para exercê-lo, não o faça. Vocês não estarão prejudicando somente a vocês mesmos. A influência que causam em cada aluno é demasiada grande para se arriscar. Podemos tanto ajudá-los a caminhar pelas estradas esburacadas, como podemos fazê-los cair nesses buracos. E não deve haver peso na consciência maior do que contribuir para a destruição de uma vida. Muitos não estão prontos para encarar vocês.
Fugi um pouco do que tinha me proposto a falar, mas encaro como necessário. Deixo então claro, como é complicado dizer um “adeus” a uma turma. Devemos apenas esperar que eles sejam felizes e que tornem o mundo um lugar mais feliz. Precisamos disso.
Há tempos tenho a ideia básica de que a sociedade está doente. Muitos hão de concordar com isso. Ninguém se respeita, aderimos à modinhas facilmente, estragamos o nosso planeta Terra, arruinamos sonhos de nossas crianças, matamos, somos egoístas... Somos o câncer do mundo. Claro que ainda há aqueles que fazem seu papel e lutam contra tudo isso. Mas cada vez mais, percebo o mundo mais doente. E vendo o nosso poder de alcance, percebendo como podemos influenciar toda uma geração, se trabalhássemos juntos, ensinando nossos alunos a buscarem suas próprias respostas, e não entregando-lhes as nossas, chego à conclusão que o mundo está sim, doente. E que nós, Professores somos a Cura!

sábado, 24 de julho de 2010

SANA 10

Nos últimos dias 16, 17 e 18 de julho, aconteceu em Fortaleza (CE), no Centro de Convenções a 10ª Super Amostra Nacional de Animes (SANA 10). A décima edição do evento reuniu fãs de animes (desenhos japoneses), mangás (quadrinhos japoneses), games, RPG (Role Playing Games), artes marciais e demais aspectos de cultura oriental, principalmente japonesa.
O SANA começou em 2001, nos dias 14 e 15 de dezembro e contou com uma média de 250 pessoas por dia que compareceram no auditório da biblioteca na UNIFOR. Com o passar dos anos, o público foi aumentando cada vez mais e em 2009, na 9ª edição do evento, cerca de 50 mil pessoas compareceram nos dias 17, 18 e 19 de julho no Centro de Convenções em Fortaleza.
O evento tomou proporções tão grandes que agora recebe patrocínio do Governo do Ceará, da Prefeitura de Fortaleza além de ter apoio de várias empresas e ser divulgado nacionalmente. Tudo isso faz do SANA o 2º maior evento do estilo no Brasil e o terceiro maior da América Latina. O Anime Friends, em São Paulo, é o maior do Brasil.
Pois bem, apresentado o que é o SANA, venho por meio desta dizer que marquei presença nos três dias de evento!
Nesses três dias, a diversão foi a regra! O SANA possui várias atrações simultâneas, basta escolher: exibição de animes, campeonatos de games, gincana, shows, tenda eletrônica, jogos de tabuleiro, muitos estandes de vendas, apresentações de artes marciais, e muito mais. Para mim, uma das atrações mais divertidas é o chamado “Cosplay”. O Cosplay é quando alguém se veste como um personagem preferido (na maioria dos casos de desenhos japoneses). E a criatividade vai longe... Até cosplay de Jesus apareceu por lá!

Para mim, participar de um evento desses é adentrar em um mundo de magia que poucos percebem que existe. Claro que levo dentro de mim um pouco deste mundo, sempre! A ocasião serve apenas para eu me reunir com pessoas que, neste aspecto, pensam da mesma forma.


As mensagens que estes “desenhos” passam são, muitas vezes, tão profundas que nos levam à reflexão. Os temas são os mais variados: amizade, solidão, felicidade, sonhos, justiça... Elementos que aparecem de uma forma que pode ensinar tanto crianças como adultos.


Para muitos, o “cosplay” pode parecer algo ridículo. “Um marmanjo deste tamanho se vestindo de desenho animado???” Recentemente assisti o programa “A LIGA” da Rede Bandeirantes de Televisão e vi o apresentador Rafinha Bastos (CQC) fazendo reportagens sobre as “tribos” dos jovens atualmente (punks, metaleiros, rockabillies...). E uma das “tribos” entrevistadas foram a dos cosplayers. Pois bem... O Rafinha perguntou a três mulheres (22, 26 e 28 anos, salvo engano) que estavam vestidas como personagens da Turma da Mônica Jovem se elas não se achavam um pouco velhas para se “fantasiar”. Uma delas respondeu com uma outra pergunta: “Rafinha, há idade para sonhar?”. O apresentador respondeu que não, então ela emendou: “Então não há idade para se fazer cosplay”.

Viajamos em 44 pessoas aproximadamente, em uma caravana chamada PANDORA NO HAKU (nome de uma banda do RN que se apresentou no evento), tudo foi muito bem organizado e não tivemos maiores problemas. Devemos isso não apenas ao grupo que foi bastante responsável, como a principal organizadora, Patrícia (Patê). VALEU PATÊ!!!
Enfim, foi tudo muitíssimo bom! Um final de semana para guardar no relicário de sonhos que toda pessoa deve ter. Por três dias vivemos o mundo de sonhos e fantasia que falta para muitas pessoas. Por três dias fomos crianças felizes, sem problemas que às vezes estragam o dia a dia. Por três dias não pensamos em televisão, Orkut, MSN, YouTube, deveres, contas... Apenas AMIGOS!

Vimos nossa infância emergir com Akira Kushida (cantor japonês que embalou nossas manhãs e tardes infantis cantando as músicas de Jaspion, Giban, Jiraya...) no auge dos seus 62 anos e com ar de 20.

Vimos Kouji Wada e Ricardo Cruz cantando sucessos de nossos animes preferidos...

E conhecemos a banda Unicorn Table com a cantora Salia e seu guitarrista Shin-Go.

Resumindo: o SANA 10 foi simplesmente 10!

Segue abaixo imagens variadas do evento e os vídeos (muitos) colocarei no YouTube quando puder.

Babidi (Bruno)
Shaka de Virgem
Jiraya Modo Eremita
Hidan e Kakuzu
Naruto Modo Sennin

Sala de Exibição de Animes


Pandora No Haku (RN)

Fim do show (2º dia)

sábado, 10 de julho de 2010

FALTOU UMA ASSINATURA...

Interessante notar como talentos/dons nascem com as mais variadas pessoas. Cor da pele, situação financeira e mesmo estudo não são premissas para se ter um dom. Talvez a oportunidade possa fazer germinar a semente que está dentro de cada um. Creio que estudo, dinheiro, força de vontade, são elementos que, definitivamente, podem ajudar no desenvolvimento deste dom, assim como creio que alguém que não nasceu com o dom, por exemplo, para desenhar, pode aprender! Quem não nasceu com o dom de cantar, pode aprender também! A diferença é que essas pessoas possuem um limite para seus aprendizados. Ela pode chegar a até vender muitos quadros/telas (no caso do pintor), mas nunca a pintura será tão “simples” para essa pessoa como o é para outra que possua o chamado “dom”.

Aprender... Creio que possamos aprender qualquer coisa que nos dispusermos a tentar. Talvez quase qualquer coisa (visto que eu não tenho talento algum para desenhar). Como sempre vou puxar a sardinha para o meu lado. Lecionar, por exemplo, acredito que seja um verdadeiro dom. Quem está no ramo sabe que, se você não possuir aptidão, não gostará do seu trabalho. E como isso é perigoso...

Penso que tenho ainda um ou outro dom, um que até imagino qual seja, contudo, gostaria de ter o de cantar! Sou extremamente desafinado, quem já me ouviu cantar sabe disso. O engraçado é que minha mãe é afinada! Nunca cantou fora de casa, mas foi sua voz afinada que embalou meus sonos na infância ou mesmo enquanto estava no quarto e a escutava (ou melhor, escuto) cantando hinos antigos. Quem sabe da próxima vez. Hehehe

Pois bem, aonde quero chegar com esse papo? Vamos lá.
Estava eu no famosíssimo (pela minha propaganda) Pastelouco aqui perto de casa (responsável pelos meus 2kg a mais nessas férias) com meu primo Tronn, quando não mais que de repente surge um homem vendendo telas. Três delas. As temáticas eram sertanejas. Uma delas me chamou mais atenção que as outras e chamei o artista para ver de perto.

O cara parecia bem humilde mesmo e ansioso para vender alguma das obras. Perguntei se ele era o artista e ele respondeu que sim. E parabenizei pelas obras, mas disse que ficava pra uma próxima. Ele ainda tentou me convencer a comprar, não deu certo. Então ele foi para outras mesas e quando notava o olhar de algum interessado, se tornava o próprio mostruário.

Foi quando uma mulher sentada em outra mesa conversou um pouco com ele. Ela parecia interessada. Deixou as outras duas pessoas que a acompanhava na mesa e saiu com o artista para outro local. O homem deixou as telas encostadas na parede. Enquanto meu primo conversava comigo, eu o escutava sem tirar os olhos da cena. “Ela vai trocar o dinheiro para levar uma!”, pensei. “E será a que eu mais gostei!” concluí o pensamento com um tanto de tristeza.

A mulher voltou com o artista. Ela não comprou! Continuei a olhar a obra de longe e, como se soubesse que me convenceria, o artista percebeu que eu continuava olhando e deu um sorriso levantando a tela para mim, como que dissesse: “Você quer essa que eu sei, compre!”. Ainda relutei e apenas meneei a cabeça.


Enfim o homem parecia cansado de mostrar suas obras e creio que estava prestes a deixar o local. Olhei pro meu primo ao lado e disse: “Tem a grana aí pra me emprestar?”, a resposta foi positiva! Sem pestanejar, tentamos chamar a atenção do artista ambulante que vendia o fruto de seu dom pelas ruas (que drama... afff xD) e quando ele percebeu veio até nós!


Escolhi alegremente a obra que julguei mais bonita e paguei por ela. Não vou revelar o preço sei lá por que, mas garanto que foi barato! Agradeci a ele, parabenizei-o novamente pelo dom, desejei sorte para as próximas vendas e apertei sua mão. Esqueci-me de um detalhe importantíssimo... não perguntei seu nome.

Como se não bastasse, a decepção maior ainda estava por vir. Um pouco mais tarde, quando o homem já havia deixado o local, constatei que não havia uma assinatura na tela... Pois é amigos... o artista não deixou seu nome na obra. Uma pena! Pensei em diferentes razões para isso:
1 – Talvez algumas pessoas não comprassem por se tratar da assinatura de alguém desconhecido, e isso impediria algumas vendas;
2 – Talvez não fosse ele o verdadeiro artista (menos provável, visto que ele negociava os preços e tal... parecia ter o poder sobre as obras);
3 – Humildade simplesmente. Talvez não estivesse preocupado com nome e sim em levar algum dinheiro para casa (acho mais provável)...
A obra é grande, em torno de 70x100cm e, como já disse, muito bonita.
Bem, chega de papo furado. Como prêmio por terem lido até aqui esta postagem, segue abaixo a imagem da obra, sem título, sem assinatura, cujo nome do autor eu desconheço, mas que pretendo colocar em uma moldura e guardar por muitas décadas! Talvez vocês pudessem dar um título pra ela. Boa semana a todos!