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sábado, 19 de novembro de 2016

UNIVERSO PARALELO


Muitos foram os textos que eu já escrevi sobre minha profissão. Alguns foram sobre turmas específicas, principalmente as primeiras. Nunca foi segredo para ninguém que elas foram responsáveis pelo Professor que eu sou hoje e que eu nunca poderia ter pedido melhores turmas para iniciar essa jornada que já dura sete anos na minha vida!

O tempo vai passando e, às vezes, sentimos que algo parece começar a esfriar. Com esse sentimento, vem o receio... Uma coisa é certa para mim: é um tanto impossível, devido aos tantos contratempos, manter exatamente a mesma energia ano após ano. Ainda que essa energia diminua de forma quase que imperceptível, podendo ainda levar décadas para se esgotar, ela não é a mesma da de 2009. E isso não significa ter menos amor pelo que se faz, de forma nenhuma! Faz parte, talvez, de um processo biológico, físico e mental, da condição do ser humano.

Tão certo quanto isso, é o fato de que, ao longo da caminhada, surgem pessoas que parecem ter aparecido para colocar uma carga a mais de energia no processo. E este ano, depois de algum tempinho, isso aconteceu de novo.

É sempre muito perigoso escrever esse tipo de texto, pois quando se é Professor, você não consegue mensurar a quantidade de alunos e alunas que gostam de você ou te enxergam como um irmão mais velho (às vezes até pai) ou um exemplo a ser seguido... e esses pequenos “ser humaninhos” pensam que, por falar especificamente de uma ou duas turmas, a que eles fazem parte não tem importância ou não marcaram! Ledo engano...

Todas as turmas marcam de alguma forma. E quando algum deles se tornar Professor, saberá disso. Mas existem fatores, diversos fatores, que fazem uma turma diferente da outra. E esses fatores NÃO dizem respeito ao Professor, mas a própria conjuntura das pessoas envolvidas, de suas individualidades e de como agem enquanto grupo, enquanto turma. Por exemplo, eu posso ter uma turma com 40 alunos, na qual todos eles são pessoas maravilhosas e que despertam um carinho imenso em meu coração... mas enquanto turma, unidos, podem não ser uma turma boa, fácil de se lidar ou coisa parecida. Isso não diminui o carinho por cada um deles, mas venhamos e convenhamos, quando o trabalho do profissional ali na frente é respeitado, seja com o silêncio na hora da explicação, seja com a permanência acordado na hora da aula (mesmo não gostando da matéria), ou com a participação dos alunos na aula e o tratamento respeitoso entre eles próprios, as circunstâncias acabam por fortalecer alguns laços (agora não apenas individuais, mas com a turma).

É bom reiterar isso para que os “ciúmes” de uns não venham a ser prejudiciais. Eu realmente gostei da maioria esmagadora dos meus alunos este ano! E mesmo aqueles os quais eu não consegui me “adaptar” tanto, isso nunca ficou transparecido ou tratei de forma diferente. Não tenham nem dúvidas disso. Mas somos humanos... com sentimentos e ações humanas. A vida tem dessas...

Mas vamos voltar à ideia principal do texto.

A sexta-feira costuma ser o dia mais feliz das pessoas por sua proximidade com o final de semana. O famoso descanso, a praia, a farra ou simplesmente colocar as séries em dia... Comigo não foi diferente, mas havia, este ano, um motivo a mais para amar a sexta-feira. Aliás... dois motivos a mais.

Nos primeiros dias de aula nos 9ºs Anos Sigma e Gama, nossa boa relação já parecia visível e, em pouco tempo, eu acordava feliz, pois eram quatro aulas naquele dia... duas para cada um deles. Se havia um feriado na sexta, não era motivo de alegria para mim. Passavam-se duas semanas sem vê-los e a saudade batia à minha porta. E assim foi durante o ano inteiro, com os laços se fortalecendo a cada aula. Alguém, a cada final de aula, na minha última aula da semana, dizia-me sempre: “Parabéns por mais uma aula, Professor!”, e eu, meio sem jeito, agradecia com um sentimento de missão cumprida.

Alguns outros que, digamos, não eram muito fãs de frequentar a escola, apareciam nas sextas-feiras e me diziam: “Hoje eu só vim por causa da sua aula!” e acreditem... era real! Imagina como eu me sentia ao saber que algumas daquelas pessoas decidiam ir para a escola, numa sexta-feira, apenas para não perder as minhas aulas...

O comportamento muitas vezes era tão bom, que nossas metas eram cumpridas com um pouco de tempo sobrando. Aí eu entrava com aquilo que parece ter se tornado já uma marca pessoal: Momentos de Reflexão. Ali aprendemos juntos a respeitar o próximo, a apreciar o talento humano, a repensar o nosso mundo... a valorizar o mundo que cada um tem! Mundos esses que eu tive a oportunidade de conhecer, alguns mais a fundo, outros nem tanto... mas mundos lindos! Problemas? Em todos os mundos eles se farão presentes, mas também estarão os amigos. Bons remédios para esses males.

No último dia 18 de novembro, foi o dia de nosso último encontro “normal”, com todos juntos... Aconteceu o que não acontecia já há algum tempo: as palavras, que tenho a sorte de saber manipular um pouco, não foram suficientes para dizer o quanto eles farão falta em 2017. E quando as palavras não conseguem dar conta do recado, a Alma fala. E fala da forma mais natural possível. De repente, os olhos, o coração e as lágrimas são a melhor forma de expressão. Um pouco embaraçosa, talvez. Mas a mais verdadeira. E assim nos comunicamos. As palavras falharam, a boa dicção foi para o espaço, os pensamentos se misturaram em frases embargadas e, a partir daí, a sala de aula se transforma em Santuário. Almas amigas decidem se comunicar de forma sensorial... os soluços, os silêncios, o brilho nos olhos e os abraços se transformaram nos textos mais sinceros. E nenhum poeta do mundo poderia passar aquele momento para o papel. Ali estava sendo criado um Universo Paralelo. Parecíamos deuses e deusas... E isso não é nenhum sacrilégio ou prepotência. Acredito que somos essência divina, imagem e semelhança do Criador. E naquele momento, era Ele se fazendo presente na forma mais pura que eu conheço: A Amizade!

Einstein acreditava na Teoria de Tudo. Na teoria de que mundos paralelos existem e que tudo que já aconteceu na sua vida, continua acontecendo em algum universo paralelo. Eu acredito em Einstein. E gosto de pensar que mesmo enquanto eu escrevo este texto, mesmo quando eu tiver bem mais idade do que tenho hoje, mesmo quando esses pequenos forem avôs e avós, o Universo Paralelo criado no dia de ontem permanecerá. A chave de acesso a esse Universo, lhes dei de presente, assim como mantenho em local seguro a minha própria cópia.

Pequenos do Sigma e Gama, guardem com carinho essa Chave. E em alguns momentos da Vida quando nada parecer dar certo, peguem-na... olhem bem para ela... leiam o que está por trás dessa Chave... Fechem bem os olhos, mantenham a Alma em silêncio... o corpo também... Se usarem bem a Chave, vocês serão capazes de ouvir um som bagunçado no começo (você estará fazendo uma viagem longa, tenha calma), vozes indistintas... cada vez mais, essas vozes (algumas que você talvez não escute há anos) vão reaquecendo seus espíritos... uma imagem, ainda turva, começará a se formar... e a cada minuto, mais vozes vão sendo reconhecidas, rostos que já não existem mais tal qual eram, começam a mostrar seus contornos, o cheiro da juventude vai começando a tomar conta de onde você está, ainda que tenha uma bengala ao seu lado... 

A imagem, finalmente, ficou colorida! Os rostos e vozes estão nítidos outra vez. E lá está você! Feliz! E lá estão eles, em parte responsáveis por sua felicidade! E lá está a euforia da adolescência, os sonhos ainda não conquistados (porém vivos), as paqueras e até aquele seu melhor amigo, que você já não vê há tanto tempo...

Vocês acessaram o nosso Universo Paralelo com sucesso!

 

Bem vindos de volta, meus queridos alunos!

Bom dia! 
Saudações Humanos!
Fizeram o resumo de vocês?








sábado, 7 de fevereiro de 2015

DOZE ANOS DEPOIS...

PRÉ B Colégio CDF - 2003

Saudações leitores!

Este Blog já teve postagens sobre a época de Colégio e de Ensino Médio. Ora, é uma das melhores épocas de nossas vidas (ou talvez devesse ser), e volta e meia o assunto retorna. Se eu já fiz uma postagem sobre voltar à sua antiga escola (no meu caso foi na escola que estudei na época do Ensino Fundamental), hoje vou relembrar um pouco a última série do Ensino Médio.

Fiz o meu Ensino Médio no CDF Colégio e Curso. Foi um Ensino Médio muito bom e prazeroso, pois ele me legou amizades que se tornaram imprescindíveis para tantos e tantos momentos de felicidade posteriores. Até hoje tenho verdadeiros irmãos ao meu lado e que cuja irmandade foi nascendo naquela época (2001 - 2003). Na verdade, eu entrei no CDF no último ano do Ensino Fundamental, antiga 8ª Série (Atual 9º Ano), no ano 2000.

Fato é, que depois de algumas tentativas e esforço de várias pessoas, finalmente chegou o dia em que essa turma de Pré pôde se reunir novamente para celebrar a vida, contar histórias e rir muito. Infelizmente, doze anos depois, é natural que alguns morem em regiões mais distantes e que nem todos possam conseguir ir na data programada. Mas com certeza todos foram lembrados!

Esperamos que este tenha sido um primeiro passo para que  outras reuniões possam acontecer. De qualquer maneira, foi muito bom ver todos bem! Sejam solteiros, casados, pais e mães, ou sem filhos, enfim... Estão bem ao modo deles! E isso é o que importa!

Faço votos que todos possamos ainda viver uma vida repleta de realizações e que nossa essência permaneça boa. Que saibamos recuperar, sempre que preciso, uma época tão difícil para todos nós (a adolescência), mas que conseguimos sobreviver a ela de forma satisfatória!

Porque melhor do que fazer novos amigos, é manter as antigas amizades!

Valeu galera! Foi muito bom encontrar vocês mais de uma década depois! O dia 01 de fevereiro de 2015 ficará num canto bom do coração!


Postagem dedicada a uma época bacana que esteve, por um breve momento, ao alcance de nossas mãos novamente.





sábado, 8 de novembro de 2014

DENTRO



→ Dentro.

Fecho os olhos para sentir
A inspiração no som do vento.
O som dos cabelos, que dançam desajeitados,
A música que toca dentro de cada um.
E é o Vento o maestro.
O Vento e suas manias.

Adormecem os efeitos colaterais
De todo e qualquer sonho não dividido.
Da distância, que só existe no mundo físico,
E do Amor, agora doutra maneira correspondido.

E que se façam todos entender,
Que a cada um foi dado o que é seu.
O silêncio por dentro, em meio ao caos de fora,
Nos diz quão mal entendidas são as formas de linguagem.

O Silêncio...
Ele sabe como se acalma um coração que sente
Saudade.

R.C.Felipe
02.11.2014

A todos os meus que não mais estão, mas que continuam sendo.

domingo, 31 de agosto de 2014

ROSA DA INGLATERRA

Há exatos 17 anos, o mundo perdia a "Rosa da Inglaterra".

A Princesa Diana foi uma Princesa no mais nobre e simples sentido da palavra. Ganhou a alcunha de "Princesa do Povo" e ficou lembrada por suas ações filantrópicas.

O amor devoto que ela recebia do povo britânico (e porque não, mundial), só confirma uma coisa evidente: a Monarquia é o único sistema democrático capaz de personificar a Egrégora de uma Nação. Personifica-se, geralmente, na Família Real, mantenedora e guardiã das Tradições da Pátria.

O amor por Diana (veja as demonstrações de carinho após sua morte no vídeo abaixo) é o amor de um povo por uma mulher que representa os anseios mais íntimos. A sede de Justiça, a vontade de viver em um mundo melhor, a candura ao educar os filhos, o próprio amor incondicional pelos seus garotos... a simplicidade, mesmo se sendo Princesa.

Diana, como costuma ser a Família Real, é parte da família dos cidadãos britânicos. E a dor de perder alguém da família é enorme. Percebemos isso quando há um casamento real, ou o nascimento de um novo príncipe, ou o aniversário da rainha da Inglaterra. Qualquer comemoração que envolva a Família Real (não só na Grã-Bretanha, mas nas monarquias ao redor do mundo) é festa nacional, pois o povo se sente parte dela. Sentem-se bem representados por eles!

Seu amigo pessoal, Sir Elton John, fez uma música para Lady Di e a tocou em seu funeral. Segue abaixo o vídeo:


Diana parece ter sido um exemplo de Luz no mundo. Que sua Luz possa estar iluminando outros rincões no dia de hoje! Abaixo segue minha humilde homenagem à Eterna Princesa.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

ATÉ BREVE...


Quis o destino que, até onde eu sei, nossa primeira e última foto juntos fosse basicamente a mesma... com um intervalo de 28 anos entre elas. Surpreendeu-me, depois que vi a foto, o seu sorriso tão puro e singelo em meio à fraqueza de seu corpo. Menos de três meses antes de sua partida, e lá estava aquele sorriso... Só hoje eu realmente me dei conta, pelos comentários de seus entes queridos que aqui permanecem por um tempinho a mais, como uma de suas características/qualidades mais marcante era o bom humor. Comecei a relembrar minha infância perto de você... Lembro de ouvir uns palavrões bem grande e minha mãe reclamando da senhora falando isso perto de mim.

Uma das minhas lembranças mais antigas também, está ligada à senhora. Íamos no seu jardinzinho olhar aquelas bolinhas vermelhas em cima dos cactos (não sei se eram cactos), ou contar quantas raminhas novas apareceram na palmeira de frente de casa. São lembranças muito antigas mesmo... E era você que lá estava!

Depois de sua partida eu ainda não consegui chorar. Até me sinto mal por isso... Mas acho que cada um tem a sua forma de luto. Já derramei lágrimas de pesar antes de hoje. E acho que elas bastam. Nós tendemos a ser muito egoístas. Querer que o outro fique, mesmo quando é hora de partir. Dois anos atrás, estávamos todos preparados para o pior. Segundo os médicos, só um milagre faria a senhora voltar da sala de emergência depois daquele ataque. E não é que a senhora voltou? E não é que Deus escutou as preces de tantos para deixá-la um pouco mais com a gente. Ganhamos mais dois anos de sua presença, e como não ser grato por isso? Talvez por isso eu entenda que não poderíamos exigir ainda mais... Pedimos uma vez e fomos atendidos. Será que não nos damos por satisfeitos nunca?

Pedir... pedir... pedir... Falta-nos a lembrança de agradecer! E eu sou grato por todos os momentos que pudemos ter perto de você!

Não... eu não frequento velórios e nem sepultamentos. Algo mais forte do que eu me impede. E sim, eu consigo suportar as críticas que sei que recaem sobre mim. Não culpo quem critica. Muito menos os julgo. Minhas preces, minhas orações, todas elas são sinceras e o fato de eu ir ou não nesses últimos momentos não me faz melhor ou pior do que sou.

Fui vê-la ainda nos seus últimos momentos... Segurei sua mão... Senti aquele quase imperceptível aperto contra a minha... E ali eu soube, que a senhora sabia que eu estava lá. Por pouco tempo... Mas estava.

Assim como dois anos atrás, espero que possa ter sentido o que passava para ti. Coisas do meu mundo espiritual. Tantos agiram naquele problema dois anos atrás... levaram um pouco de mim. E espero que esses mesmos seres possam ter te ajudado nessa transição.

Chega de falar... São coisas muito íntimas que grande parte não entenderia.

Fato é que aprendi algo muito bonito hoje. Uma amiga me disse que quem é realmente católico, há uma alegoria que achei das mais lindas. No momento de nossa partida, Santana, mãe de Maria, vem nos acompanhar junto a um ente querido.

Para o resto da minha vida não é a memória de um caixão descendo, ou de um rosto pálido sendo velado, que terei comigo. É de suas costas... é da senhora andando segurando a mão de Santana em um dos lados e a mão do seu filho amado do outro. E talvez... quem sabe... com aquele tercinho que eu te dei e a senhora gostava tanto de rezar nele!

Sem dores...Sem maiores dificuldades...

Apenas siga a Luz!

E um dia nos encontraremos novamente... seja no plano espiritual, seja em outra vida terrena.

Tchau Vovó Lúcia...Até qualquer dia.

domingo, 27 de julho de 2014

"PRECISA-SE DE NOVOS ESCRITORES!"


“Precisa-se de Novos Escritores!” 

Eram esses os dizeres da nova placa que colocaram no Céu naquela semana estranha. Alguns anjos que passavam por perto pareciam não entender direito.

“Ordens do Rafael!”, dizia Ariel com um olhar que não respondia muita coisa.

Os anjos mais novos não compreendiam porque a placa fora fincada naquela nuvem. Os mais velhos pareciam um pouco surpresos com a necessidade daquilo. “Geralmente Ele prefere deixar que, vez por outra, algum deles apareça para uma visita... Convocação é coisa rara.”, disse Seraphiel. E de fato, parecia uma convocação! Algo estava acontecendo.

A placa fincada naquela nuvenzinha, pequena, mas bem consistente, era invisível aos olhos comuns. Diz-se pelos Céus que a mensagem carrega um pouco do poder do Criador, e sendo assim, ela chega aos que estão em temporada pela Terra na forma de inspiração.

Esta não foi a primeira placa colocada por lá, como bem lembrou Pravuil, arcanjo quase sempre responsável por fazer os registros delas. “Lembram que há um tempo precisou-se de algumas belas vozes?  E teve também aquela que convocou alguns de bom humor, e ainda aquela outra que simplesmente dizia ‘Precisa-se de boas pessoas!’, e como vieram muitos nessa última chamada...” Os anjos em volta, que pareciam já em uma espécie de reunião, concordaram e escutavam curiosos as explicações do autor daqueles novos dizeres. “De qualquer forma, estou cumprindo ordens superiores!”, disse Pravuil dando um tom de fim de papo.

Fato é que a placa fora colocada e alguns já esperavam, há alguns dias, a resposta lá de baixo. A inspiração teria passado despercebida por todos? Não... Era Ele quem estava convocando. Quem fosse escritor dos bons, perceberia aquela placa, de uma forma ou de outra.
Eis que no dia 18 daquele mês (os anjos não conhecem muito os meses terrenos), um sujeito de óculos quadrados, com aros pretos e já com certa idade terrena, é pego pelo anjo Gamaliel analisando a placa colocada há uns dias.

“É aqui que estão precisando de escritores?”, perguntou sorridente o simpático homem. Gamaliel sorriu em resposta ao homem e deu-lhe um abraço de boas vindas.

Já no dia seguinte, outro homem foi pego a observar a placa e olhando para os lados como quem pensa: “É aqui mesmo!”. Mas antes que ele pudesse dizer o que pensava, lá estava Gamaliel, com as asas ainda por se fechar, e chegando levemente dizendo-lhe “Sim, é aqui mesmo!”. A aparência deste novo convidado era também de certa idade, faltava-lhe os cabelos no meio e os que tinha do lado já eram todos brancos. As sobrancelhas pareciam pedaços de nuvem retiradas por ele ali da região e colocadas sobre os olhos. Mas eram só sobrancelhas mesmo. “A placa está fazendo efeito!”, foi o comentário feito por um serafim na hora de descanso dos anjos daquela região. Alguns ainda estavam curiosos sobre os que tinham chegado e se ainda haveria de aparecer mais alguém. “Não me foi pedido para retirar a placa”, disse Pravuil.

Nos dois dias seguintes, alguns anjos ficaram de plantão próximo da nuvem onde fora fincada a placa (nem sempre no mesmo lugar, vale lembrar, pois às vezes as nuvens viajam a uma velocidade que nem imaginamos, mas para os anjos, quase todo lugar é perto), mas para frustração deles, ninguém mais havia aparecido.

Como que apenas para contrariar o desejo de quebrar a rotina de alguns anjos mais desocupados, quando eles pararam de vigiar a placa, exatamente no dia 23, eis que um senhorzinho, ainda mais velho do que aqueles outros dois, foi pego abanando e assoprando a base da nuvem que segurava a placa, como que tentando entender como aquele pedaço de madeira diferente conseguia ficar preso na nuvenzinha. “Algum problema, meu caro?”, perguntou Pravuil ao simpático senhor. “Olhe meu amigo, problema mesmo eu já não tenho mais nenhum. Acabei de resolver tudo! Mas se o senhor puder me ajudar a entender como danado é que esse pedaço de pau ta enfiado nessa nuvem, eu já me dou por satisfeito!”. O anjo soltou uma gargalhada e pediu para que o homem esguio o acompanhasse. “Digamos que a nossa Pedra do Reino lhe dará essa e outras explicações!”.

E os dois começaram a caminhar pelo nada, juntos, conversando como dois antigos amigos.

No final daquele dia, Gabriel veio até a pequena, mas consistente, nuvem e retirou a placa dali. “Parece que esses três grandes, já são o suficiente por hora”, foi o que o anjo mensageiro pensou.

Rodrigo Cavalcanti Felipe.
23.07.2014

Em homenagem a João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna,
que parecem ter percebido a inspiração da plaquinha na nuvem.


domingo, 11 de maio de 2014

MÃE É MÃE

 Minha Mãe!

Certa vez, alguém me disse que não existe esse negócio de "pai biológico" ou "mãe biológica", o que existe é progenitor e progenitora. Mãe é uma questão social. É quem cria. A pessoa que apenas coloca no mundo e não dá amor, carinho, não está nos momentos mais importantes da pessoa, não é "mãe", é progenitora.

Achei de uma lucidez tremenda, e hoje concordo demais com essa afirmação!

Hoje é Dia das Mães e fico muito feliz em ter a minha Mãe! Ela é Mãe e progenitora ao mesmo tempo. Muitas vezes a relação com os pais não é fácil. Como Professor, percebo essa realidade gritante com muitos de meus alunos, adolescentes. Seja pela falta de tempo dos pais, que trabalham o dia todo; seja pela falta de consciência; seja lá por quais motivos, muitos desses adolescentes sentem-se sozinhos e queixam-se que não conseguem ter o relacionamento que gostariam com suas mães... Mais triste ainda é saber que eles estão dispostos a tê-la. Elas é que terminam não agindo como o esperado... :(

De qualquer forma, o Dia das Mães é uma data criada para lembrarmos de valorizar uma das coisas mais bonitas que Deus criou: a maternidade. 

Parabéns a todas as mamães do Brasil!

Segue um poeminha:

Para Sempre

Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
É tempo sem hora,
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba,
Veludo escondido
Na pele enrugada,
Água pura, ar puro,
Puro pensamento.

Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
É eternidade.
Por que Deus se lembra
- Mistério profundo -
De tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora,
Será pequenino
Feito grão de milho

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 12 de abril de 2014

ELEVE-SE, MEU COSMO! [Uma homenagem merecida]


Caros leitores, saudações!

Esta postagem é muito bacana! Principalmente para os fãs de Cavaleiros do Zodíaco (desenho japonês que estourou no mundo inteiro e no Brasil na década de 1990). 

Creio que quase todo garoto nascido na década de 1980, acompanhou a história de Masami Kurumada. Os Cavaleiros do Zodíaco foram um fenômeno mundial e de sucesso pouco visto semelhante no Brasil. Foi simplesmente uma febre que tomou a garotada da década de 1990 e que repercute até hoje, seja com novos lançamentos de material diverso, seja apenas com a nostalgia guardada a 7 Chaves no coração daquelas crianças, hoje adultos!

Pois bem...

Em 27 de fevereiro, saiu no G1 uma reportagem sobre um jovem que juntou uma grana para mandar fazer uma fantasia para o Carnaval de 2014. Esse jovem baiano, Ronei Silva, realizou o sonho dele e de muitos pelo mundo: Se tornou um Cavaleiro de Athena por um dia! O Cavaleiro escolhido por ele? Aldebaran de Touro (que por curiosidade, é brasileiro). Ronei, apesar de ter sido registrado no dia 19 de junho, nasceu um mês antes, 19 de maio, sendo, portanto, do signo de Touro. Daí sua admiração pelo Cavaleiro em questão. Ronei afirmou na entrevista que nunca teve nenhum boneco da série.

Os Cavaleiros são defensores da paz na Terra e que estão à serviço da deusa Athena. Com suas cosmo energia, eles são capazes de realizar feitos incríveis... E foi a partir de mais esse ensinamento que surgiu uma ideia: por que não unirmos os nossos cosmos e homenagear alguém que representou tão bem a paixão que muitos têm por esses jovens guerreiros?

Por um mês inteiro, num grupo de colecionadores de bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco, se discutiu como fazer a tal surpresa e homenagem. Entre muito bate papo, risadas e força de vontade,  provamos que ao elevar nossos Cosmos, tudo pode ser possível!

Sem ter muito mais o que falar, fiquem com o resumo de toda essa história com o vídeo abaixo!

Pra Sempre Saint Seiya!


segunda-feira, 17 de março de 2014

QUANDO SE SENTE A REAL AMIZADE


Saudações caríssimos leitores!

Eis que a Amizade vem à tona mais uma vez neste Blog pessoal!

Nunca escondi de ninguém que a Amizade é um dos sentimentos que mais sou apegado. Que mais tenho apreço. E esta semana passada senti na pele e no coração um pouco da verdadeira ideia da Amizade como poucas vezes pude sentir.

Por mais que tenhamos amigos na vida, nem sempre damos o devido valor a eles ou mesmo não percebemos o quanto suas amizades são importantes e nos fazem felizes. Sim, o quanto nos fazem felizes! Ser verdadeiramente amigo é, mais do que tudo, compartilhar tristezas e alegrias. É estar feliz com a felicidade do outro... E é disso que essa postagem trata!

Duas grandes pessoas, dois grandes amigos, recentemente me trouxeram uma alegria que é difícil colocar em palavras. Duas amizades que tornam minha existência um pouco mais digna de ser experimentada. São eles: Camila Nascimento e Miguel Teodoro. 

Camila eu conheci em 1996, ou seja, há 18 anos. E ela é a minha amizade mais antiga até hoje! Já Miguel é um irmão que surgiu em minha vida em 2001, há 13 anos. E como eu disse, na semana passada (poucos dias atrás), me proporcionaram momentos de extrema felicidade! Vamos aos fatos!

Camila nos deu (eu e outras pessoas que fazem parte desse lindo grupo) a notícia que tanto torcemos para ser escutada: Conseguiu passar no concurso do IFRN para professora efetiva! Além do fato indiscutível de seu esforço e dedicação, essa vitória  pessoal transbordou dela e atingiu a todos ao seu redor, esposo, pais, familiares e amigos! A sensação de sua vitória trouxe alegria a todos nós, pois sabemos da pessoa maravilhosa que ela é!


Miguel é aquele amigo que já se tornou daqueles irmãos que a vida nos permite escolher. Alguém que parece que não fica triste. Alguém que, de tão especial que é, faz a gente acreditar que um mundo melhor é possível! Sua forma de ser amigo é das mais bonitas que já vi. Ele abraça suas qualidades e defeitos de uma forma louvável. E há dois dias fui padrinho de seu casamento, um dos momentos mais marcantes em sua vida, com toda certeza! Ao vê-lo no altar com sua noiva, Katiucia, passava em minha mente um pequeno filme, desde 2001 até hoje, do quão bom amigo ele continua sendo e que ainda será! Simplesmente eu não sabia que cabia tanta "felicidade alheia" dentro de mim! Só que não é alheia, pois a felicidade só é real se partilhada. E ele compartilhou conosco, e eu nunca vou esquecer disso!


Pois bem... vocês dois...

Tenho muita sorte de ter vários grandes amigos como vocês! Mas essa semana, não posso negar, foi cheia de "vocês"! Obrigado por serem quem são e por fazerem parte de minha vida a tanto tempo!

Obrigado de verdade!

:)


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

HÁ CASAIS NUNCA FORMADOS


Animes e mangás, para mim, são tão importantes que servem também como inspiração poética...
Eis minha humilde homenagem para um dos mais lindos casais... Que nem precisou ser formado para sê-lo.

Há casais nunca formados

Há casais nunca formados
Que tiveram vários amores,
Que mesmo dividindo sorrisos e dores
Nunca foram formados.

Há casais que nunca trocaram beijos
E não foram além das palavras,
Que brigaram noutras sacadas
De apartamentos que não eram deles.

Há casais que se conhecem tanto
Quanto almas gêmeas que só se encontram
De tempos em tempos.

E ao fim da vida, já passados os anos,
Ainda assim esses casais não se formaram, pois
Sempre se pertenceram.

Para Jiraya e Tsunade.

domingo, 24 de novembro de 2013

O PRIMEIRO SER A QUEM APRENDI A AMAR


Saudações!

Quando chegamos a este mundo, logo depois de nascidos, somos colocados nos braços de quem nos carregou por alguns meses dentro de seu ventre. Algo inexplicável deve acontecer, pois por mais que o cordão umbilical esteja cortado, outro laço, este invisível, nos unirá para sempre. É, de fato, o primeiro ser a quem aprendemos a amar.

Há muitos relacionamentos entre pais e filhos. Alguns deles foram contados por Renato Russo em sua famosa música. Renato considera uma música triste, que fala em suicídio de uma garota que não tinha a atenção necessária de seus pais. E hoje, como Professor, eu vejo todo tipo de relação entre pais e filhos. Umas ótimas, outras péssimas.

Eu tenho uma personalidade estranha. Sou apegado aos de fora, e um tanto desapegado aos de dentro de casa. Sempre fui, eu acho. Sou um tanto isolado, mas isso não reflete o sentimento de dentro. Acho que não estou sozinho nesse barco. Conheço muitos que amam, por exemplo, seus pais, mas que não conseguem falar isso a todo momento. E seria legal se isso fosse entendível. 

Enfim, hoje é o aniversário de uma das responsáveis por eu estar nesse mundo. De quem me carregou por muito tempo no ventre e que me ama incondicionalmente. Só tenho a desejar uma vida longa e boa, repleta de muitos sorrisos e felicidades!

Que Deus proteja quem me protege!

sábado, 2 de novembro de 2013

. . .


...

E se fosse a tua, minha?
Pois a minha é tua e de mais alguns,
Não vou mentir...
Estás perto,
Estás longe,
E não estás!

Conte-me algo de novo,
Qualquer coisa.
Uma palavra seria reconfortante,
Um sorriso seria um sonho,
E um abraço... ahh, um abraço!

Flores.
Dos mais variados perfumes,
Tenho flores em mãos.
Para ti.

Tenho, junto às flores,
Palavras não ditas,
Promessas não cumpridas,
Planos não terminados.
Tenho dores.

Mesmo tendo estes versos,
Tenho silêncios.
Tenho olhos fechados
E lágrimas que escorrem...
Tenho lábios trêmulos.

Tenho tudo lá fora,
Mas certo vazio por dentro.
Adentro o mundo dos sonhos,
E tenho a ti.

O mais que tenho...
É saudade...


Aos meus, que sempre serão meus...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

SONETO DO PROFESSOR


→ Soneto do Professor

Anima-te, pois é este o teu destino
E eu que não creio em tais coisas
Admiro-te ainda mais, porque ousas
Mudar o mundo através do teu sorriso.

Com a fonte do Conhecimento
Dás de beber aos seres sedentos.
Como se não bastasse, dá-lhes sentimentos
Como quem acolhe àquele que não tem abrigo.

Lutas contra tudo e todos... (e são tantos)
Por mudanças que talvez nem possas presenciar
E nunca vi para ti, nenhum altar.

Escritor da vida que transforma em livro
Os papéis que recebeu em branco. Se não são deuses os teus,
Interfiro no poder de Deus e nomeio a todos: Anjos.

Rodrigo Cavalcanti Felipe (Sensei)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

ENSINO MÉDIO



O Ensino Médio é, sem dúvida, uma das melhores fases de nossa vida! Tão bom quanto a Universidade, mas cada qual com suas peculiaridades. Quem já passou pelo Ensino Médio (e passou bem por ele), sabe do que estou falando.

Neste ano de 2013, o meu Pré (3ª Série) faz dez anos. E como passou rápido. Parece que foi ontem as despedidas, aulas da saudade, formatura... Promessas diversas e não cumpridas, principalmente devido à nossa ainda inexperiência perante as intempéries da vida. "Amigos para sempre", "Vou te ligar todo dia", "Vamos nos ver toda semana"... Essas são só algumas que não puderam ser cumpridas com excelência. Muitos consideram isso triste, mas de fato não é, pelo simples fato de que naturalmente vamos nos desvinculando uns dos outros. Não há dor. Não é como o parto que é separar-se da rotina de ver todos os seus amigos todos os dias da semana pela manhã. Este sim, é um processo mais doloroso. Mas o tempo é o melhor remédio e ele usa bem suas dosagens...

O meu Ensino Médio foi bastante feliz e proveitoso. Conheci pessoas maravilhosas e professores inspiradores. É claro que nem tudo é um mar de rosas. Foi uma época difícil, como o é para quase todos os adolescentes. Algumas crises existenciais que devem ser normais para a época. Mas cá estou, dez anos depois, inteiro! Sobrevivi! :)

Uma das melhores coisas que consegui ao me tornar Professor, foi o contato com os que fazem o Ensino Médio hoje. Algumas coisas são um pouco diferentes, como o próprio respeito pelos mestres. Na época tínhamos sim, grande "peças raras", mas hoje elas parecem ser mais frequentes e cheia de direitos. Desconhecem seus deveres. Mas não é deles que quero falar. A possibilidade de conhecer tanta gente boa compensa tanta coisa... Mantém a juventude em dia... Mantém meu Espírito alegre. Ajudá-los de alguma maneira nessa época difícil, é uma das minhas coisas preferidas. Alguns até se tornam amigos e amigas pessoais quando encerram esse ciclo do EM. Mas dizem que melhor do que fazer novos amigos, é manter os antigos, não? Pois permitam-me...

Fiz ótimos amigos desde o ano de 2001 até 2003 (anos do meu EM). As Redes Sociais permitiram uma reaproximação interessante. Posso saber por onde andam e o que fazem. Marcar encontros ficaram pretensamente mais fáceis, apesar do grande vilão dos encontros: a correria do dia a dia.

Estou certo de que é muito difícil manter os amigos que conhecemos no EM por toda a vida. Por incrível que pareça, tenho mais amigos do Ensino Fundamental do que do Ensino Médio. De todo o meu EM, de tantos que estudaram comigo e que dividiram muitos momentos de alegria, gostaria de citar dois em especial. Duas pessoas que nem a distância nem o tempo conseguiram nos separar.

Eis um pequeno segredo. A postagem não é pensada para ser sobre o Ensino Médio, mas sim uma homenagem a esses dois irmãos que a Vida me deu a oportunidade de conhecer. Tudo que escrevi até o momento, foi só para chegar aos nomes de Miguel e Egilson. E por que falar deles hoje? Bem... Porque estamos bem no meio de duas datas importantes: ontem, dia 09.09, foi aniversário de Egilson (ou Harry, se preferirem), e amanhã, 11.09 é aniversário de Miguel.

Pois esta postagem é para dizer o quanto tenho apreço pela amizade/irmandade desses dois! Não são apenas dois bons amigos ou dois irmãos. São pessoas de caráter, de boa índole, de boa alma e de Espírito em consonância com o meu. São coisas difíceis de explicar, mas se você tem alguém assim perto de você nos momentos de sua vida, você pode se considerar muito feliz.

Que Deus abençoe suas vidas, rapazes! Que Ele nos permita viver muito e muito mais, sendo suporte uns dos outros e aproveitando cada minuto. Que aqueles jovens garotos de 15 e 14 anos que se encontraram quase treze anos atrás, consigam continuar a viver dentro de nós mesmos, pois nos perder deles, é perder o que temos de melhor. Obrigado pelos tantos momentos de alegria juntos e por compartilharem parte da tristeza de vocês, que se torna também a minha. Vi hoje que ser solidário, é guardar a própria dor para cuidar da do outro. E sei que fazemos isso uns pelos outros. 

Simplesmente obrigado por vocês existirem. E principalmente, por serem quem são. Pois ainda que não tivéssemos nos conhecido, a simples existência de pessoas como vocês fazem do mundo um lugar melhor.

Feliz Aniversário aos dois! :)

2002

2013